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Alta tecnologia
na Serra
Com empresas de informática, a região quer virar pólo tecnológico
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Há um clima de euforia em Petrópolis.
Não por ser inverno, estação em que a cidade é invadida por
turistas. A razão para o otimismo é outra. A Microsoft e a
Rational, dois gigantes americanos da indústria de informática,
inauguram em três semanas centros de pesquisa e treinamento
na região. Na verdade, são projetos modestos diante do tamanho
das empresas.
A euforia se justifica porque a chegada das duas companhias
reforça o projeto que pretende transformar a região da serra
em um pólo de alta tecnologia voltado para a informática.
Há outros indicadores de que o projeto caminha. Até o fim
do ano, a Taho, empresa do ex-banqueiro Luiz Cezar Fernandes,
ex-Banco Garantia e ex-Banco Pactual, também sediada em Petrópolis,
promete lançar, em parceria com a Microsoft, um computador
popular, com preço em torno de 1.000 reais.
A Taho se prepara ainda para ser a primeira empresa do mundo
a alugar e permitir que o locatário baixe os filmes via internet.
E tem mais. O grupo francês Accor iniciou a construção de
um hotel com 140 quartos no distrito de Itaipava. Nesse caso,
juntam-se o potencial turístico da região e a expectativa
de que o centro tecnológico atraia cada vez mais profissionais
de alto nível para lá. "Estamos na contramão do que está acontecendo
no país", diz Fernando Varella, gerente executivo do projeto
Petrópolis-Tecnópolis. "Nos últimos trinta meses o número
de empresas com base tecnológica em Petrópolis saltou de oitenta
para 160", comemora.
O plano de transformar a cidade num pólo de alta tecnologia
começou em 1998 com a inauguração, no bairro Quitandinha,
do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), instituição
sob a coordenação do Ministério da Ciência e Tecnologia que
processa as informações do Projeto Genoma. No ano seguinte,
a Firjan inaugurou a Fundação Parque de Alta Tecnologia de
Petrópolis (Funpat) para centralizar o projeto batizado de
Petrópolis-Tecnópolis. A idéia era atrair para a região empresas
de ponta, voltadas principalmente para a produção de softwares.
Um trabalho de marketing foi iniciado para convencer os possíveis
candidatos a subir a serra. O primeiro passo foi destacar
as vantagens da região. Localizada junto à principal malha
rodoviária do país, Petrópolis está a apenas 65 quilômetros
do Rio e tem todo o sistema de telefonia interligado à rede
de fibra óptica. "Estamos próximos do aeroporto internacional
e do campus da UFRJ", diz Varella. Para coroar o bolo, o município
é cercado de Mata Atlântica e tem temperatura média amena,
em torno de 22 graus. Foram estas últimas características
que atraíram Luiz Cezar Fernandes para a serra há quinze anos.
No ano passado, ele finalizou a transformação da cocheira
de sua fazenda, no distrito de Corrêas, na sede da Taho.
Fernandes mora na Fazenda Marambaia, 400 hectares de terra
que mesclam Mata Atlântica e campos verdes para a criação
de ovelhas, além da sede de suas empresas . A residência é
um belíssimo casarão colonial situado à beira de um lago.
Distantes 1 quilômetro, trajeto que Fernandes percorre a bordo
de um jipão Land Rover, ficam o heliporto e a construção de
um andar onde funciona a Taho. Ali, cercados de equipamentos
de última geração, dez pesquisadores desenvolvem os produtos
da empresa. De início foram sistemas para navegar na internet
através de sinais de rádio. Os primeiros usuários dos novos
sistemas foram os moradores da Rocinha e do Complexo da Maré,
dois enormes conjuntos de favelas do Rio. Em parceria com
o Viva Rio, a Taho montou um centro com 25 terminais para
acesso à internet em cada um. Cobra-se 1 real a cada meia
hora de utilização. Foi um sucesso. "Provamos que nossa tecnologia
serve para a integração, a inclusão digital", diz Luiz Cezar
Fernandes. O próximo passo da Taho é o lançamento do computador
popular e da locadora virtual de filmes, a Taho Vídeo. Somente
esta já consumiu 50 milhões de dólares em investimento. "Uma
empresa de Miami (parceira no negócio) está digitalizando
2.500 filmes, e o resto do sistema está sendo desenvolvido
por aqui. De uma fazenda vai sair a primeira locadora virtual
do mundo", conta Luiz Cezar.
Com a Taho, a Fazenda Marambaia tornou-se uma espécie de cartão
de visitas para os investidores estrangeiros interessados
no projeto Petrópolis-Tecnópolis. "Trouxe o pessoal da Microsoft
aqui e ajudei a convencê-los da demanda que está surgindo
na região", diz Luiz Cezar. Ele é apenas um dos integrantes
da tropa de choque organizada para "caçar" investidores. No
caso da Microsoft, o convite a Mauro Muratório, vice-presidente
de estratégias corporativas para a América Latina da empresa,
para visitar Petrópolis partiu de Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira,
presidente da Firjan. Poucos meses antes, Steve Ballmer, braço
direito de Bill Gates, anunciara a intenção de construir centros
para a difusão da tecnologia XML (linguagem que possibilita
a interação de diferentes sistemas) no Brasil. O primeiro
foi instalado em Curitiba. Petrópolis está prestes a ter o
segundo. O centro da Microsoft ocupa 350 metros quadrados
no edifício da Funpat. Terá duas salas de aula, dois laboratórios
e um auditório. "Não será um negócio para dar lucro. Os objetivos
estão voltados para o desenvolvimento de projetos e o treinamento
de profissionais", explica Luiz Paulo Oliveira, diretor executivo
do centro.
A Rational, empresa que produz ferramentas para o desenvolvimento
de softwares, segue esquema semelhante e está apostando 1
milhão de reais em sua unidade de pesquisa e treinamento.
"Vamos buscar profissionais na comunidade local e já firmamos
uma parceria com a Universidade Católica de Petrópolis. Oferecemos
ferramentas Rational à universidade, que vai nos ajudar com
sua infra-estrutura de capacitação", diz Marco Bravo, diretor-geral
da empresa no Brasil. Microsoft e Rational vão somar-se às
seis empresas que já funcionam no prédio da Funpat. "Até o
fim do ano esperamos ver ocupada toda a área de 3.000 metros
quadrados e reunir 25 empresas", afirma Jonny Klenterer, coordenador
de projetos especiais da Funpat. "Dois grandes investidores
estão apostando em Petrópolis. Estamos consolidando agora
o que há cinco anos era apenas uma idéia", avalia Eduardo
Eugênio.
A cerca de 1 quilômetro do prédio da Funpat, está outra força
do projeto Petrópolis-Tecnópolis, o LNCC, transferido da Praia
Vermelha, na Urca, para Petrópolis em 1998. Referência nacional
pelo número de pesquisadores (sessenta) e pela estrutura existente,
o laboratório conta com três supercomputadores. Um deles é
utilizado para centralizar todas as informações do Genoma,
projeto multinacional que prepara o mapeamento do código genético
humano. "Os 25 laboratórios no Brasil que trabalham nesse
projeto transmitem as informações para o LNCC, responsável
por toda a parte de computação do Genoma", explica Luiz Bevilacqua,
professor da pós-graduação do LNCC. Toda essa movimentação,
somada ao potencial turístico da região, terminou por atrair
o grupo hoteleiro Accor para Petrópolis. O processo começou
com a visita de uma comitiva capitaneada pela Firjan ao Sophia
Antipolis, o principal pólo de alta tecnologia da França e
uma espécie de modelo em escala muito ampliada para o pólo
petropolitano. À visita, seguiu-se uma viagem do senador francês
Pierre Laffite, idealizador do pólo francês, a Petrópolis.
Foi ele que cuidou de incentivar o grupo Accor a investir
na região. As obras do hotel já começaram e a inauguração
está prevista para 2004. Até lá, acreditam os responsáveis
pelo Petrópolis-Tecnópolis, as empresas de alta tecnologia
poderão ocupar boa parte dos 140 quartos do novo hotel. Que
assim seja. |
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